Afinal, quem são as mulheres empoderadas?

Com certeza você já ouviu falar no termo empoderamento feminino, geralmente relacionado à imagem de mulheres muito bem sucedidas profissionalmente, vaidosas, com o corpo em forma e bem resolvidas na vida amorosa, não é mesmo?

Foi exatamente isso e mais um pouco que a pesquisadora carioca Tatiane Leal – doutoranda na UFRJ – revelou em sua pesquisa sobre as “mulheres poderosas”.

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A pesquisa tem como recorte a construção do estereótipo da mulher poderosa pela mídia, em especial as revistas de grande circulação nacional como Veja, Época e Você S/A Edição para Mulheres.

Nela foram apontados 5 aspectos da vida dessa nova mulher – carreira, amor, filhos, beleza e sociabilidade – os quais são absolutamente bem resolvidos. “É uma espécie de supermulher”. Ou seja, esta mulher teria supostamente vencido a guerra dos sexos, não estando em igualdade com os homens, mas acima deles.

Vamos combinar que isso está mais pra uma distopia que pra realidade, e mais, queiram as forças do além que isso nunca se torne real pois seria como nos equipararmos ao atual paradigma machista, só que às avessas e com um toque a mais de escravidão e falso glamour.

Um fato interessante é que a pesquisadora também analisou a música “Show das Poderosas” da Anitta, outro boom midiático.

O funk explodiu em todo o país, cuja letra fala justamente desse empoderamento e, assim como a supermulher das revistas, também aponta uma mulher poderosa que é livre, capaz de dominar o sexo masculino e o fato de ser “contra as inimigas e invejosas”, mostra o aspecto individualista desse novo movimento feminista.

É a tal da “lacração” tão criticada por aí, especialmente por homens incomodados com o discurso feminista.

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E é justamente esse o grande ponto que a pesquisa aponta, a ausência de um comprometimento social em torno desse empoderamento feminino: “a afirmação de um tipo de feminismo que busca ser menos um movimento teórico-social do que uma convocação individual à expressão de um poder interior.”

Sou super a favor da busca pela realização pessoal e sempre abordo temas do autoconhecimento aqui no blog (e acredito que tudo comece por aí ), mas, tenho que concordar que nós mulheres precisamos também estar mais unidas para que as nossas conquistas não fiquem apenas nisso.

Ainda há muita mudança pra ser feita, estamos longe de viver uma igualdade de oportunidades, por exemplo. Fora isso, os índices de violência contra a mulher continuam alarmantes mesmo com uma lei que nos protege.

É preciso rever muitos conceitos, reeducar, conversar e principalmente DENUNCIAR casos de abuso ou qualquer tipo de ameaça que aconteça não apenas com a gente, mas com qualquer outra mulher, até que se consiga mudar essa mentalidade tão retrógrada a ponto de vermos isso refletido em leis mais específicas e com penas maiores. E isso faremos melhor e muito mais rápido com apoio mútuo entre nós.

 

 

 

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