Afinal, quem são as mulheres empoderadas?

Com certeza você já ouviu falar no termo empoderamento feminino, geralmente relacionado a imagem de mulheres muito bem sucedidas profissionalmente, vaidosas, com o corpo em forma e bem resolvidas na vida amorosa, não é mesmo? Foi exatamente isso e mais um pouco que a pesquisadora carioca Tatiane Leal – doutoranda na UFRJ – revelou em sua pesquisa sobre as “mulheres poderosas”.

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Como nesta semana celebramos o Dia Internacional da Mulher (08/03), pensei que seria pertinente compartilhar esta pesquisa aqui no blog, até porque muito me interessa o debate acerca do papel da mulher em nossa sociedade e a luta por igualdade de direitos, sejam eles sociais ou políticos, bem como o combate a violência e a cultura do machismo, infelizmente ainda tão impregnada em nossa mentalidade – tanto de homens como de mulheres também! #triste.

Quando vi o vídeo de Tatiane no YouTube falando sobre a pesquisa fiquei super curiosa e fui logo fuçando sua dissertação, a qual super recomendo . Sua pesquisa tem como recorte a construção do estereótipo da mulher poderosa pela mídia, em especial as revistas de grande circulação nacional como Veja, Época e Você S/A Edição para Mulheres.

A pesquisa revelou 5 aspectos da vida dessa nova mulher – carreira, amor, filhos, beleza e sociabilidade – que são absolutamente bem resolvidos. “É uma espécie de supermulher: executiva competente (frequentemente, ocupando ou em busca de cargos de chefia), consumidora ativa, instruída academicamente, feliz no casamento (ou em uma relação estável, no caminho para ele), mãe amorosa e dedicada e, por fim, mulher atraente, saudável e em forma.” Ou seja, esta mulher venceu a guerra dos sexos e não está em igualdade com os homens, mas acima deles.

Se essa coisa de ser perfeita fosse real mesmo até daria pra concordar que estaríamos acima dos homens, né?! rs Mas a gente sabe que não é bem assim. E o principal: não precisa ser assim! Até porque PODER mesmo só teremos quando os índices de violência doméstica e sexual, assédio, falta de respeito e preconceito, entre outros problemas sociais forem realmente resolvidos.

Um fato interessante é que a pesquisadora também analisou a música “Show das Poderosas” da cantora Anitta que, vamos combinar, foi um verdadeiro boom midiático. A música explodiu em todo o país, cuja letra fala justamente desse poder feminino e, assim como a supermulher das revistas, a música também aponta uma mulher poderosa que é livre, capaz de dominar o sexo masculino e o fato de ser “contra as inimigas e invejosas”, mostra o aspecto individualista desse novo movimento feminista.

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E é justamente esse o grande ponto que a pesquisa aponta, a ausência de um comprometimento político-social em torno desse empoderamento feminino: “a afirmação de um tipo de feminismo que busca ser menos um movimento teórico-social do que uma convocação individual à expressão de um poder interior.”

Nada contra a meritocracia e a busca pela realização pessoal, mas é fato que nós mulheres precisamos, no mínimo, ser mais unidas para que as nossas conquistas não fiquem apenas no direito ao voto ou na lei Maria da Penha.

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